Tarantino é sempre Tarantino. Uns gostam, outros odeiam. Como seria diferente com seu último filme? Mesmo tendo passado algum tempo desde o lançamento em DVD de “Bastardos Inglórios”, o portalopa aproveita o assunto como mote para fazer algumas considerações sobre o filme, o diretor e as temáticas abordadas por ele em suas produções.
Para começar, quando for assistir a esse ou qualquer outro filme de Tarantino, não espere nada muito “cabeça”, nem muito cheio de frescurinhas. O diretor é chegado mesmo é na violência, muitas vezes nonsense, mas nem por isso deixa de divertir. O cara sabe jogar com o público e surpreender mais a cada filme. Foi assim com Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Kill Bill e não foi diferente com Bastardos Inglórios.
Quem gosta dos seus filmes, gosta mais a cada nova produção e quem não gosta, dificilmente um dia gostará. Pessoalmente, eu pertencia ao segundo time, mas fui convertido e agora pertenço ao primeiro. Não gostava dos filmes dele, achava que eram mais comentados do que ele é bom diretor, mas um dia, assisti à sério e com visão crítica ao filme “Pulp Fiction” e percebi que ali tinha muito mais do que eu imaginava antes. Vi muita intertextualidade abaixo da superfície da violência gratuita, afinal, o mundo pop é assim mesmo. Um assunto puxa o outro e esse puxa outro e assim por diante, unindo filmes de vários estilos, épocas e diretores, músicas, livros, Histórias em Quadrinhos, animes, etc. Para assistir a um filme de Tarantino é preciso estar atento a cada música, a cada cena, a cada fala de cada personagem, pois dificilmente ela está lá por acaso e certamente tem algo de humor negro, achando graça da desgraça alheia ou até mesmo da própria desgraça. O diretor não está nem aí para a verossimilhança. Pra ele, o que conta mesmo é fazer um bom filme com uma boa história. E geralmente ele consegue.
Feita esta pequena introdução, vamos a “Bastardos Inglórios” agora. Para começar, logo no início do filme, parece que estamos diante de uma película dos anos 80 ou anterior, com uma música que lembra filmes antigos e créditos com fundo chapado de preto. “Nada demais”, você pode pensar. Então, tem início a primeira cena do filme. Na verdade, não dá nem muito para saber o que esperar dela. Soa meio estranha para quem não conhece muito do diretor, então aparece um nazista (coronel Hans Landa, intepretado magistralmente por Christoph Waltz) e percebemos que a história é ambientada no período da II Guerra Mundial. O coronel nazista tem uma conversa com um camponês onde exige que ele entregue uma família judia que ele esconde em sua casa, até que a jovem Shosanna, interpretada por Mélanie Laurent tem sua família assassinada diante dos seus olhos e é a única sobrevivente, fugindo para Paris e preparando sua vingança no decorrer do filme.
Em outro núcleo do trama estão os "Bastardos Inglórios", grupo formado por soldados judeus liderado pelo o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) que por meio de táticas de guerrilha enfrenta os nazistas de forma violenta matando a maioria tirando seus escalpos e marcando a testa dos sobreviventes (geralmente apenas um de cada grupo que eles atacam) com uma faca para reconhecê-los mesmo quando sem o uniforme. Nesse contexto surge a atriz alemã e agente infiltrada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) que atua em uma missão para derrubar os líderes do Terceiro Reich e ajuda o grupo a atingir seus objetivos.
A trama é tecida no sentido de que os destinos dos dois núcleos se encontrem no final mesmo que eles não seja pessoalmente. Adivinhe só onde o clímax do filme acontece? Em uma sala de cinema. Aliás, cinema é um assunto discutido durante todo o filme (auto-referência pura). Um filme que vale a pena ser conferido, se não para apreciar, como é o caso de quem já conhece o trabalho do diretor, pelo menos para ter uma canja sobre as produções do diretor para aprender a amá-lo ou odiá-lo.
