O mundo em um só lugar. E muita contradição.
Eu tive essa sensação durante a participação na 8ª edição do Fórum Social Mundial realizado em plena cidade de Belém do Pará, no meio da Amazônia brasileira - território que tanto chama atenção internacional, ora pela defesa de sua integridade ecológica, ora pela ambição em seus recursos naturais.
Uma mistura de culturas, crenças, dilemas, lutas e protestos.
Cada grupo lutava por seus interesses e onde estavam os interesses coletivos?
Num evento em que se questionava o uso dos recursos naturais se via tanta sujeira espalhada entre os acampamentos. Os banheiros químicos espalhavam um odor a metros de distância e aja paciência para entrar nos banheiros da universidade Federal (UFPA).
No caminho para a entrada da Universidade Rural (UFRA), cerca de 3 km para se chegar às tendas temáticas, a alternativa foram as bikes táxis a custo de R$ 2,00 reais cada deslocamento.
E no percurso, se via uma exposição de bicicletas de diversos modelos de um colecionador que protestava o uso de veículos menos poluidores. Uma dupla italiana montando um fogão de pedras, para produzir pizza, em meio a muita falta de higiene, só louco comia ali.
Também encontrávamos diversas opções de lanche, desde comidas típicas como a açaí a fast food. Mas nada de coletores separados, o lixo era totalmente misturado.
E as oficinas? Ninguém sabia de nada. Encontrei um grupo três vezes procurando uma oficina sobre rotary, nem sei se encontraram, mas a gente precisava se achar sozinho, pois até os voluntários não sabiam dar as informações.
Os participantes podiam até protestar contra o capitalismo, neoliberalismo, mas o que se via era o consumismo, os ambulantes fizeram a festa com água, sombrinhas e muito lanche.
Até os índios aproveitaram para ganhar um trocado, pois quem quisesse tirar uma foto ao lado de uma família indígena deveria pagar R$ 10,00 reais.
As contradições não param por aqui. Questionavam-se os ajustes feitos pelo Governo na cidade, pois a avenida em frente às universidades deveria ter sido ampliada, mas não era isso que se via. Um congestionamento horrível e muita perna para caminhar, pois os ônibus paravam a cerca de 3 km de distância.
O segredo era estar livre. Da pressão para fazer cobertura; de horários, pois com o trânsito era impossível chegar na hora marcada. Desprender-se da vontade de ouvir o Leonardo Boff, pois a tenda estava lotada e ele só falou de estatísticas. Estar solta e aproveitar quando uma programação não aconteceu e ir atrás dos companheiros que ouviam a Senadora Marina Silva, que participou de uma maratona de seminários e debates com o consenso de que a questão ambiental não pode ser discutida de forma isolada.
E qual o meu sentimento depois do FSM?
Que um mundo melhor será possível se, e somente se, as pessoas começarem a se questionar sobre o seu modo de agir e encarar o mundo. Porque nenhuma ação é isolada. E as conseqüências são planetárias.