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Linux e Desktop
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Durante a semana que passou fiquei um pouco abismado quando li a notícia de Pedro Marques publicada no dia 02 de fevereiro no site IDGNow, intitulada Linux no desktop: entenda por que este casamento não vingou! Nesta matéria, Pedro Marques, baseado em dados da Net Applications afirma que no final de 2008, 88,68% dos usuários de Desktop possuiam Windows, 7,46% possuiam Mac OS X e menos de 1% dos usuários tinha Linux instalado em seus computadores. Esta pesquisa é baseado em dados colhidos dos usuários que acessam a intenert e está disponível em http://marketshare.hitslink.com/os-market-share.aspx?qprid=9

Realmente, quando analisei os números não acreditei muito no que eu vi e resolvi ir atrás de outras fontes. Encontrei então a w3Counter (http://www.w3counter.com/globalstats.php), que embora um pouco mais animadora para os usuários do Linux – 2,13% para o Linux, 5,24% para o Mac OS X, 13,44% para o Windows Vista e 72,13% para o Windows XP – ainda é um pouco aquém do potencial que esta plataforma oferece para os usuários finais – e o melhor, sem custo algum.

Por que será então que os usuários finais ainda resistem tanto ao uso do Linux em seus Desktops? Por que será que ambientes tão estáveis e que satisfatoriamente podem suprir todas as necessidades (algumas vezes até de uma forma melhor do que o Windows) dos usuários não vingam e tomam pelo menos uma parcela do mercado da Microsoft? Tenho algumas humildes opiniões sobre o assunto e, a seguir irei compartilhá-las com você, leitor.

Primeiro, e creio que o que mais pesa nesta análise, é o fator cultural. Os usuários comuns estão acostumados ao Windows desde que tiveram o primeiro acesso ao computador. E, como quase sempre, mudar de hábito (ou de sistema operacional) é algo que estes não estão pré-dispostos a fazer, mesmo que este último seja um sistema mais estável, menos propenso à vírus, e supra todas as suas necessidades de graça.

Segundo, creio que o fato de algumas aplicações (a maioria avançada e que não faz parte do cotidiano da maioria dos usuários, tais como Photoshop, Dreamweaver, etc...) não terem um paralelo tão bom no ambiente Linux, também contribui para diminuir o número de usuários do Linux. Entretanto, segundo o que posso observar, uma parcela muito pequena dos usuários finais realmente utilizam estas ferramentas e todo o poder que elas possuem. Ferramentas como o Gimp ou Inkspace no Linux, geralmente, podem fazer tudo que os usuários comuns precisam. Assim, ainda temo que falta de informação (sobre o que está disponível no Linux) e resistência à mudanças ainda seja o fator principal para a falta de usuários Linux.

Ainda sobre este quesito, fico me perguntando: por que os produtores de tais ferramentas não as portam para o ambiente Linux? Será que não existam usuários suficientes para justificar o investimento? Sendo assim, se os usuários migrarem para o Linux, estes seriam obrigados a portá-las para tal ambiente ou então perderiam mercado. Então por que não fazemos isso? Afinal, quem manda no mercado são os produtores ou os consumidores?

Na matéria do Pedro Marques, este cita Érico Andrei, diretor de tecnologia e parcerias da Simples Consultoria, que diz: “As interfaces de Linux são ruins e mal acabadas. Elas têm um apelo muito forte para profissionais de tecnologia, são superdivertidas, mas na vida real o usuário médio não precisa de tantas opções”. Fico então me perguntando se as interfaces do Windows são boas. Faz algum sentindo um botão iniciar que não inicie o Computador? Mas o fato é que estamos acostumados a isso! Ou seja, mais uma vez fico a pensar como o fator cultural e a falta de pré-disposição a mudança são tão poderosos. Sobre “interfaces mal acabadas”, não sei nem o que posso falar, já que a interface do Gnome (utilizada por padrão pela maioria das distribuições Linux, como Ubuntu, Fedora, etc.) é muito superior do que a versão Windows. Efeitos 3D, de sombra e transparência muito melhores e que não tomam tanto processamento do computador como os disponíveis no sistema da Microsoft estão facilmente acessíveis no Linux. Na minha humilde opinião, acho que a Microsoft não pode ser tomada como parâmetro para interfaces, já que historicamente, o que esta tem feito é copiar muitas das novidades disponibilizadas pela Apple.

Mesmo com tudo isto, ainda tenho uma forte perspectiva de que estamos vivendo uma mudança, e que muito em breve, este mercado de sistemas operacionais vai sofrer uma mudança brusca. Seja por que o Ubuntu está chegando com força total (deixemos um pouco deste assunto para a próxima matéria) ou seja por que todas as nossas aplicações estão migrando para a internet e cada vez menos estamos usando os recursos do nosso sistema operacional local. Talvez por isso, o nosso amigo Pedro Marques teve que escrever outra matéria, visto que os usuários do Linux reclamaram da sua primeira (http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2009/02/03/opiniao-leitores-reclamam-de-comentario-sobre-interface-do-linux/).

Roberto Azevedo, em 06/02/2009 15:23:26





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